Vivo fazendo incursões por sites e blogs da internet, onde possa descobrir meus “incogitados” (meus “unk-unks”, ou “unknown unknowns”, na forma inglesa), isto é, conhecimentos que eu nem cogitava que pudessem existir. É fascinante fazer isso, uma verdadeira aventura, pode crer!
Aliás, isso não é apenas fascinante, mas essencial! A qualquer momento podemos ser apanhados sem defesa alguma por aquilo que não sabemos que não sabemos. Estamos todos assustadoramente vulneráveis!
Pois, decidi agora que vou partilhar um pouco do que tenho conseguido encontrar por aí – e penso em fazer isso, neste blog, digamos, a cada 15 dias. Se você quiser me dar um retorno e trocar algumas idéias sobre o que ler aqui, vou gostar.
Nesta primeira postagem gostaria de chamar sua atenção para um livro que já tem mais de um ano de lançado internacionalmente: “Designing design”, do designer gráfico japonês Kenya Hara. Ele resume o fio condutor de seu livro com duas frases simples, mas perturbadoras: “A criatividade consiste em descobrir uma pergunta que nunca foi feita. Se fizermos uma pergunta única, a resposta obtida será necessariamente única.”
Hara reforça a idéia que todos temos, de que a criatividade é a grande ferramenta do design. E ele principia seu livro fazendo uma distinção entre design e arte: arte é expressão, para a sociedade, da vontade de um indivíduo; já o design, ao contrário, não é auto-expressão, pois origina-se na própria sociedade. A essência do design está no processo de descobrir um problema que seja partilhado por muitas pessoas e tentar solucioná-lo.
Seu texto é cheio de imagens metafóricas e de construção poética, não deixando dúvidas sobre sua origem, um país no qual a delicadeza da expressão artística é incomparável. O design é como a fruta de uma árvore, ele reflete. No design de produtos, por exemplo, a fruta pode ser um veículo ou um refrigerador. O é a árvore, que deverá produzir uma boa fruta. E, se você se distanciar um pouco, olhando a árvore a certa distância, verá que ela está plantada no solo. O solo no qual a árvore se ergue para dar bons frutos precisa ser um bom solo! Não precisamos acrescentar mais nada a essa imagem, não?
Hara é cético sobre o atual acesso à abundância de informação que os meios de comunicação nos proporcionam. Para ele, isso é uma ilusão, pois essa informação chega a nós simplesmente moída, triturada em fragmentos irreconhecíveis, por uma gigantesca máquina moedora que lança pelo ar miríade de retalhos – os quais, pairando sobre nós, grudam em nossos cérebros, recobrindo-os e nos dando a falsa impressão de que sabemos alguma coisa – quando de fato toda essa informação que absorvemos, se colocada junta, pouco significará.
Dois pontos, portanto, são cruciais nas reflexões desse autor: o primeiro é que precisamos desde logo aprender a fazer perguntas originais, se quisermos resolver os grandes problemas que se nos apresentam. O segundo é que o “information flood” em que estamos mergulhados nada garante, se não soubermos separar o que vale do que não vale. No fundo mesmo, tudo se resume a este segundo item, porque selecionar bem a informação que nos chega consistirá, em última análise, em fazer perguntas originais sobre essa informação!
Ao tomar conhecimento do livro de Hara, é impossível não lembrar o conceito de “Design Thinking” em gestão de empresas, hoje defendido por vários acadêmicos e consultores internacionais, entre os quais se destacam Roger Martin, da Rotman School of Management, da Universidade de Toronto (Canadá) e Tim Brown, da IDEO.
“Design Thinking” é um processo de solução criativa de problemas baseado na paulatina “construção” de uma idéia original. Para terem êxito nesse tipo de pensamento, as pessoas devem ser capazes de aceitar com alegria, confiança e uma intensa curiosidade, sem medo de cometer erros, o desafio de atacar um problema. Roger Martin conta que, ao assistir a um grupo de designers lidando com um sério problema, ficou fascinado com sua empolgação. Para Martin, é bem assim que pensam os grandes gestores: engajam-se com determinação na solução de seu quebra-cabeças; procurando formas de pensar que sejam diferentes de tudo que já se fez a respeito, e sem se deixar abater por limitações e obstáculos, porque sabem que sempre existe um jeito de contorná-los.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
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